Foi no Canto do Rio que Gabriel Mangabeira começou a sua carreira na natação. Nascido no Rio e criado em Niterói, o nadador de 22 anos passou ainda pelo Fluminense e Vasco, até deixar o País, em 2000, para morar nos Estados Unidos. Atualmente, ele compete pelo Águas Abertas, de Campos.

Mangabeira deu as primeiras braçadas aos dois anos de idade, por iniciativa do avô, que era professor de natação. Aos 10 anos, ele chegou a se aventurar no judô, mas abandonou a modalidade por causa da mãe. Depois do Canto Rio, transferiu-se para o Fluminense, aos 13 anos, e, aos 16, já estava no Vasco.
A tentativa frustrada de se classificar para os Jogos de Sydney (2000) levou o nadador a se mudar para os Estados Unidos, onde passou a ser treinado por Anthony Nesty, do Suriname, primeiro nadador negro a ser campeão olímpico, nos 100m borboleta dos Jogos de Seul (1988).
O trabalho intenso apenas lapidou o talento do jovem atleta, que dedicou-se muito aos treinos e estudos.
Ao longo de 4 anos, acumulou resultados respeitáveis e começou a superar marcas sul-americanas absolutas em 2003, culminando com o recorde
e o índice olímpico nos 100m borboleta, no Troféu Brasil em maio de 2004.
Gabriel Mangabeira é um dos poucos atletas da elite do esporte que tem características bem
diversificadas. Suas provas são 100m costas, 100m borboleta, 100m e 200m livre e os 200m medley.

Conheça mais sobre o atleta neste pequeno perfil:
Nome completo: Gabriel Samain Vasconcellos Mangabeira
Pais: Clark Mangabeira e Suely Mangabeira
Irmãos: Tenho dois irmãos e todos eles sabem nadar. Derek Mangabeira, 15 anos, cursa a oitava série e não pratica esportes. Yan Mangabeira, 10 anos, cursando a terceira série e gosta de Karatê
Data e local de nascimento: 31/01/1982, Rio de Janeiro
Peso e altura: 1,94m e 88 Kg
Como começou na natação? Meu avô era professor de natação, um dia pulei na água no meio de uma aula dele e comecei a aprender
Qual foi a sua primeira competição? E sua primeira medalhinha? Minha primeira competição foi no Jequiá Iate Clube na Ilha do Governador
onde eu morava na época, eu tinha 8 anos e fiquei com a medalha de prata nos 50m livre.
Quais seus objetivos para este ano e para o ano que vem? Para o restante desse ano meu maior objetivo é me formar aqui na
Universidade da Florida. O ano de 2004 está sendo inesquecível e minha formatura em dezembro vai fechar com chave de ouro esse ciclo de 4 anos. Ano
que vem tenho muitos planos. Em março vou participar do Campeonato Americano Universitário (NCAA), no qual eu e o time da UF temos grandes chances de Top 3, depois
em maio tem a Seletiva para o Mundial do Canadá e se Deus quiser o Mundial em Julho.
Você é extremamente versátil, então diga o que gosta de cada estilo.
Borboleta é meio estilo favorito de competir. Apesar de ser muito difícil é o mais bonito. O nado costas vem logo depois, gosto de fazer séries longas de
costas, tipo 2 a 3 mil de costas. Crawl é muito bom, gosto de nadar esse estilo principalmente em revezamentos. O nado peito é justamente onde eu tenho a maior dificuldade, dificultando as minhas provas de medley.
Eu gosto de nadar todos os estilos e aqui na Universidade da Flórida, onde treino, versatilidade vale ouro então tenho que trabalhar todos os estilos
em quase todas as distâncias possíveis. Isso é muito bom porque me dá uma base muito grande e quando chega a hora de especializar, como na Olimpíada,
isso acaba fazendo a diferença. O próximo passo será investir ainda no borboleta e costas e tentar uma investida nos 100m livre, quem sabe...
Por quais clubes já passou? Comecei no Jequiá Iate Clube no Rio, depois fui para o Canto do Rio em
Niterói. Passei pelo Fluminense, Vasco Da Gama e Flamengo. Agora represento o Águas Abertas de Campos.
Com quais técnicos você já trabalhou? Já trabalhei com muitos técnicos. Teve a Marluce, no Jequiá e no Canto do
Rio. O Jacaré no Fluminense e agora no Águas Abertas e nos Jogos Olímpicos.
O Luis Raphael no Fluminense e no Vasco. Nos últimos quatro anos tem sido o
Gregg Troy e o Anthony Nesty e toda a comissão técnica aqui da Universidade
da Flórida. Devo muito a todos esses profissionais do esporte. Não teria
conseguido nada do que consegui se não fosse por cada um deles.
E quando mudou-se pros States?
Eu estou fazendo Administração de Empresas Agrícolas, ou AgriBusiness, como
eles dizem por aqui. Vou me formar em dezembro e me dedicar a natação por
completo. Depois disso só Deus sabe.
Mangabeira comenta sobre os Jogos de Atenas

Os Jogos: Pra mim não podia ter sido melhor. Achei maravilhoso. Participar do maior evento esportivo do planeta é uma emoção difícil de descrever.
Minha prova: Já estava ficando ansioso pra nadar logo, minha prova foi no sexto dia. Até aquele ponto todos já tinham nadado pelo menos uma vez e eu ainda tava só assistindo. Acho que fiquei mais nervoso indo para a semifinal porque até aquele ponto eu estava em 11º e sabia que tinha que fazer algo muito especial pra conseguir entrar na final. O Nesty disse uma frase pra mim que resumiu tudo: "It's show up time or shut up time." Traduzindo fica: Ou você se apresenta e faz bonito ou se cala para sempre e volta pra casa. Algo desse tipo. Mas naquela semi-final eu fiz justamente o que eu tinha que fazer, algo muito especial. Baixei meu tempo em meio segundo e consegui uma vaga na final, algo que poucos acreditavam que eu conseguiria fazer. Na final eu já estava mais relaxado, num tinha nada a perder e sonho de uma medalha ainda vivo. Num deu pra trazer uma medalha mas fiquei com a emoção de entrar numa final olímpica gravada na minha memória.
A Vila: Muito grande, é primeira impressão que tive quando cheguei lá. Um grande parque de diversões, com várias atividades e passa tempos lá dentro. Faltou alguns retoques finais como a grama em frente ao prédios. O refeitório foi meu lugar favorito! Mc Donald’s de graça é demais!!!
Os outros brasileiros: Torci muito lá, foi muito legal, teve uma união muito grande em toda a seleção. Um nível de união que não tinha visto em nenhuma outra seleção. Se tivesse que escolher a melhor performance de todos os brasileiros eu diria que a mais emocionante e inspiradora foi a do Mósca. Ele mostrou o verdadeiro espírito Olímpico e superou todas as expectativas e foi além! Nota 10!